Fotografo: CPB
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Como lidar com a solidão

Lição 4
20 a 26 de abril
 
Sábado à tarde
Ano Bíblico: 1Rs 22; 2Rs 1
 
VERSO PARA MEMORIZAR: “Então o Senhor Deus declarou: ‘Não é bom que o homem esteja só; farei para ele alguém que o auxilie e lhe corresponda
 
LEITURAS DA SEMANA: Ec 4:9-12; Fp 4:11-13; 1Co 7:25-34; Mt 19:8; Gn 37:34; Is 54:5
 
Uma história impressionante, mas dolorosa, virou notícia anos atrás. Uma mulher foi encontrada morta em seu apartamento. Embora a morte tenha sido trágica, o que tornou a história ainda pior foi o fato de que ela já estava morta havia mais de 10 anos quando foi encontrada. Dez anos! Portanto, a pergunta que as pessoas fizeram, e com razão, foi: “Como, em uma cidade grande como esta, com tantas pessoas e meios de comunicação, uma mulher que não era uma moradora de rua podia estar morta há tanto tempo e ninguém saber?”
 
Embora extrema, essa história é um exemplo de uma realidade: muitas pessoas estão sofrendo de solidão. Em 2016, o jornal The New York Times publicou um artigo intitulado “Pesquisadores confrontam uma epidemia de solidão”. O problema é real.
 
Desde o princípio, como seres humanos, não fomos feitos para ficar sozinhos. Do Éden em diante, na medida do possível, deveríamos viver na companhia de outras pessoas. Evidentemente, o pecado entrou no mundo e nada tem estado normal desde então. Nesta semana, examinaremos a questão da solidão que talvez enfrentemos em algum momento. Se esse não é o seu caso, considere-se afortunado.
 

 

Domingo, 21 de abril
Ano Bíblico: 2Rs 2, 3
Companheirismo
 
 
1. Qual é a ideia fundamental de Eclesiastes 4:9-12? De qual princípio da vida esse texto fala? Assinale a alternativa correta:
 
A. (  ) É melhor viver sozinho, pois assim evitamos problemas.
 
B. (  ) O companheirismo traz segurança, prosperidade e sentido para a vida.
 
Pouquíssimas pessoas conseguem vencer e ter sucesso sozinhas. Mesmo que sejamos solitários e gostemos de ficar a sós, mais cedo ou mais tarde, não apenas desejamos uma companhia, mas podemos até solicitá-­­la, especialmente em momentos de necessidade. De fato, fomos feitos para viver em comunidade, em companheirismo. Os que têm familiares próximos, capazes de lhes dar conforto e apoio, especialmente em tempos de necessidade, são muito afortunados!
 
Infelizmente, há pessoas em nossa igreja, em nosso trabalho e na comunidade em que vivemos que não têm ninguém a quem recorrer em momentos de necessidade ou até mesmo para um bate-papo no fim do dia. A sensação de solidão pode surgir a qualquer momento. Um homem solteiro declarou: “O dia mais difícil para mim é o domingo. Durante a semana estou cercado de pessoas no trabalho. No sábado vejo as pessoas na igreja. Mas no domingo fico completamente sozinho.”
 
2. Quais princípios as seguintes passagens nos ensinam, especialmente quando estamos passando por um período de solidão? Jo 16:32, 33; Fp 4:11-13
 
Como cristãos, temos não apenas a realidade de Deus, mas a possibilidade de ter comunhão com Ele. Realmente encontramos conforto no fato de que o Senhor está próximo de nós. Contudo, a proximidade de Deus com Adão, no Éden, não O impediu de dizer: “Não é bom que o homem esteja só” (Gn 2:18). Portanto, Deus sabia que Adão, mesmo quando tinha comunhão com o Senhor em um mundo não arruinado pelo pecado, ainda precisava do companheirismo humano. Quanto mais o restante de nós!
 
Precisamos ser cuidadosos também ao supor que só porque alguém está cercado de pessoas e interaja com elas, mesmo em grandes cidades, não sofra  de solidão. O fato de estar perto de outras pessoas não significa que alguém não possa se sentir sozinho, alienado e carente de companhia.
 

 

Segunda-feira, 22 de abril
Ano Bíblico: 2Rs 4, 5
A vida de solteiro
 
 
Uma jovem relatou as vantagens de não ser casada: “Duas vezes tive a oportunidade de servir no campo missionário e aceitei sem hesitar”. Uma pessoa casada, que possui família, poderia levar um pouco mais de tempo para tomar essa decisão, pois a questão não envolve apenas ela, mas também seu cônjuge e filhos.
 
3. De acordo com Paulo, quais são as boas razões para permanecer solteiro? 1Co 7:25-34
 
A maioria das pessoas pensa que o casamento é a vontade de Deus para elas. Afinal de contas, não disse Ele: “não é bom que o homem esteja só”? No entanto, temos muitos exemplos na Bíblia de pessoas que não eram casadas, incluindo o maior exemplo de todos, Jesus Cristo.
 
Jeremias foi instruído a não se casar (Jr 16:1-3); foi uma decisão para uma situação histórica. Não sabemos se essa restrição foi removida, mas claramente Jeremias foi um grande profeta enquanto era solteiro.
 
No caso do profeta Ezequiel, por mais importante que fosse o estado civil do profeta, sua esposa morreu repentinamente. Ele não pôde sequer lamentar, pois devia prosseguir com o ministério que o Senhor lhe havia designado (Ez 24:15-18). O sofrimento de Ezequiel serviu de lição sobre o sofrimento que ocorreria com o povo por causa do pecado. Oseias também vivenciou um casamento desfeito, mas continuou o ministério. Embora a história pareça estranha, Deus mandou que ele se casasse com uma prostituta. O Senhor sabia que ela deixaria Oseias para ficar com outros homens (Os 1–3). Ao olharmos para trás, vemos Deus tentando ilustrar Seu amor unilateral por Israel e por nós; no entanto, deve ter sido difícil e doloroso para Oseias ser o exemplo prático dessa ilustração.
 
Nesses exemplos, o estado civil não era um problema. Deus queria que esses homens tivessem integridade, obediência e capacidade de dizer o 
que Ele desejava que eles dissessem. Precisamos estar certos de que nossa vida não é definida por nossa condição conjugal. Muitos hoje nos dizem que, a menos que nos casemos, não estamos completos. Paulo responderia: “Não se amoldem ao padrão deste mundo”. Em vez disso, “se ofereçam em sacrifício vivo, santo e agradável a Deus” (Rm 12:1, 2, NVI).
 

 

Terça-feira, 23 de abril
Ano Bíblico: 2Rs 6–8
Quando um casamento acaba
 
 
O pecado tem arruinado a vida humana em todos os domínios. No entanto, com exceção do sofrimento físico e da morte, alguma área tem enfrentado consequências mais devastadoras do pecado do que a família? É quase como se a expressão “família disfuncional” fosse redundante. Qual família não é, até certo ponto, disfuncional?
 
Além da morte, uma das coisas mais difíceis que uma família pode enfrentar é o divórcio. As pessoas que passam por essa terrível experiência vivenciam uma série de emoções. Provavelmente, a primeira e a mais comum é o luto, que, dependendo do indivíduo, pode durar vários meses ou anos, com intensidade diferente. Alguns podem sentir medo do desconhecido, ansiedade financeira e medo de ser incapaz de enfrentar as dificuldades. Outros passam por um período de depressão, ira e solidão.
 
4. Quais princípios amplos sobre o divórcio encontramos nos seguintes versículos? Ml 2:16; Mt 5:31, 32; 19:8; 1Co 7:11-13
 
“Como uma agência redentiva de Cristo, a igreja deve ministrar a seus membros em todas as suas necessidades e cuidar de cada um para que todos possam desenvolver uma experiência cristã madura. Isso é particularmente verdade quando os membros se deparam com decisões para a vida toda, como o casamento, e experiências desoladoras, como o divórcio. Quando o casamento está em perigo de fracassar, todo esforço deve ser feito pelos cônjuges e por aqueles que, na igreja ou na família, ministram em seu favor no sentido de trazê-los à reconciliação, em harmonia com os princípios divinos que restauram relacionamentos feridos (Os 3:1-3; 1Co 7:10, 11; 13:4-7; Gl 6:1).
 
“Recursos que podem ser úteis para auxiliar os membros no desenvolvimento de um lar cristão forte estão disponíveis na igreja local ou outras organizações da igreja. Esses recursos incluem: (1) programas de orientação para pessoas comprometidas que estão se preparando para o casamento, (2) programas de instrução para casais com suas respectivas famílias e (3) programas de apoio às famílias dilaceradas e pessoas divorciadas” (Manual da Igreja Adventista do Sétimo Dia, 19ª edição. Tatuí, SP: Casa Publicadora Brasileira, 2016, p. 167).
 

 

Quarta-feira, 24 de abril
Ano Bíblico: 2Rs 9–11
Morte e solidão
 
 
Alguém perguntou: “Qual é a diferença entre o ser humano e a galinha em relação à morte?” A resposta é que, ao contrário das galinhas, que morrem, nós, seres humanos, que também morremos, sabemos que morreremos. As galinhas não sabem disso. E o conhecimento da nossa morte iminente afeta grandemente a nossa maneira de viver.
 
Todos os relacionamentos, incluindo o casamento, mais cedo ou mais tarde chegam ao fim por ocasião do nosso maior inimigo: a morte. Não importa a proximidade da união, o grande amor, o companheirismo profundo nem o tempo que passamos juntos, nós (diferentemente das galinhas) sabemos que a morte virá (a menos que Jesus retorne antes) e, quando isso acontecer, todos os nossos relacionamentos cessarão. Esse tem sido nosso destino desde o primeiro pecado e assim será até a volta de Jesus.
 
A Bíblia não revela qual dos dois, Adão ou Eva, morreu primeiro, mas deve ter sido particularmente doloroso para o outro, especialmente porque, para começar, a morte nunca foi o plano de Deus. Se, como vimos em uma lição anterior, a morte de uma única folha os fez lamentar, quem pode imaginar o que eles sofreram com a morte do cônjuge?
 
O problema é que estamos tão acostumados com a morte que simplesmente a tomamos como certa. Mas ela jamais deveria ser experimentada. Portanto, até hoje nos esforçamos para dar sentido a ela, quando, muitas vezes, simplesmente não conseguimos.
 
5. O que os seguintes textos ensinam sobre a morte? Como as pessoas lutam contra ela? Is 57:1; Ap 21:4; 1Ts 4:17, 18; Mt 5:4; 2Sm 18:33; Gn 37:34. Assinale a alternativa correta:
 
A. (  ) Temos esperança, pois Jesus venceu a morte e um dia seremos ressuscitados.
 
B. (  ) A morte é uma passagem para outra vida, pela reencarnação.
 
Evidentemente, não apenas enfrentamos a realidade da nossa morte, como também encaramos a realidade da morte de outros, de nossos entes queridos, talvez de nosso(a) companheiro(a) mais próximo(a). Portanto, mais cedo ou mais tarde, muitos entre nós enfrentarão uma fase de solidão ocasionada pela morte de outra pessoa. É difícil, dói, e nesses momentos podemos e devemos apenas reivindicar as promessas de Deus. Afinal, neste mundo de pecado, sofrimento e morte, o que mais temos?
 

 

Quinta-feira, 25 de abril
Ano Bíblico: 2Rs 12–14
Espiritualmente solteiro(a)
 
 
Uma jovem chamada Natalie estava casada havia sete anos quando, a convite de uma amiga, participou de uma série evangelística. Convencida do que aprendeu, ela entregou seu coração a Cristo, teve a experiência do novo nascimento e, apesar das intensas objeções de seu marido, pais, sogros, e até mesmo de sua vizinha, Natalie se uniu à Igreja Adventista do Sétimo Dia. Ela também ajustou seu estilo de vida, em todos os níveis possíveis, à sua nova fé.
 
Como poderíamos imaginar, ela enfrentou muita oposição. O marido tornou essa situação especialmente difícil, argumentando, do seu ponto de vista: “Não foi para isso que me casei com você. Você é hoje uma pessoa completamente nova, e eu quero a antiga de volta”.
 
Por anos, ela vem lutando para ter uma vida de fé. Embora casada, ela é o que poderíamos chamar de “solteira espiritual”.
 
6. Quais palavras encorajadoras os seguintes versículos  oferecem aos que se sentem espiritualmente solteiros? Is 54:5; Os 2:19, 20; Sl 72:12
 
Em todo o mundo, existem “Natalies” em nossa igreja. Essas pessoas, homens ou mulheres, são casadas, mas frequentam a igreja sozinhas ou somente com seus filhos. Elas podem ter se casado com pessoas de outras crenças. Ou, quando se uniram à igreja, seus cônjuges não o fizeram. Pode ser que ambas tenham sido membros da igreja, mas uma delas, por qualquer motivo, afastou-se, parou de frequentar a igreja e pode até ser hostil à fé. Esses homens e mulheres vão sozinhos à igreja, às reuniões de evangelismo ou para as atividades sociais da igreja. Eles ficam tristes quando não podem contribuir financeiramente para o ministério da igreja tanto quanto gostariam, visto que seus cônjuges não concordam em fazê-lo. Embora casados, eles se sentem espiritualmente viúvos.
 
Provavelmente todos nós, em algum momento, já conhecemos pessoas nessa situação. Elas precisam do nosso amor e apoio.
 

 

Sexta-feira, 26 de abril
Ano Bíblico: 2Rs 15–17
Estudo adicional
 
 
“Em meio de uma vida de ativo labor, Enoque mantinha firmemente sua comunhão com Deus. Quanto maiores e mais prementes eram seus labores, mais constantes e fervorosas as suas orações. Ele perseverava em excluir-se a certos períodos, de toda sociedade. Depois de permanecer por certo tempo entre o povo, trabalhando para o beneficiar por meio de instruções e exemplos, costumava retirar-se, a fim de passar um período em solidão, com fome e sede daquele conhecimento divino que só Deus pode transmitir. Comungando assim com Deus, Enoque chegou a refletir mais e mais a imagem divina. Seu semblante irradiava santa luz; a mesma que brilhava no rosto de Jesus Cristo. Ao sair dessa divina comunhão, os próprios ímpios contemplavam com respeito o cunho celestial estampado em sua fisionomia” (Ellen G. White, Obreiros Evangélicos, p. 52). Embora a história de Enoque seja encorajadora e tenha algo poderoso a dizer sobre os que escolhem ter momentos de isolamento, muitos enfrentam uma solidão que não escolheram. Podemos sempre ter uma comunhão alegre com o Senhor, que está sempre presente, mas às vezes ansiamos o companheirismo humano. É fundamental que estejamos prontos para estender a mão aos que estão assentados ao nosso lado a cada sábado, passando por um período terrível de solidão. E se você estiver passando por um momento como esse, procure alguém em quem confia e conte seu problema a essa pessoa. Muitas vezes não podemos, simplesmente com um olhar, saber o que uma pessoa está passando. Para alguns, é fácil se esconder atrás de uma máscara.
 
Perguntas para discussão
 
1. Como sua igreja pode ser mais sensível às necessidades das pessoas solitárias?
 
2. “Digo isto, não por causa da pobreza, porque aprendi a viver contente em toda e qualquer situação” (Fp 4:11). Qual é o contexto dessas palavras de Paulo? Como aplicar isso em nossa vida? Por que devemos ter cuidado ao citar essa passagem para alguém que está verdadeiramente sofrendo?
 
3. Fale sobre um período em que você passou por uma forte solidão. O que o ajudou? O que o feriu? Você aprendeu algo que poderia ajudar outras pessoas?
 
Respostas e atividades da semana:
 
1. B.
 
2. Devemos aprender a nos contentar em toda e qualquer situação, pois, mesmo na solidão, Deus não nos abandona.
 
3. Quem é solteiro não adiciona à sua vida preocupações com o cônjuge, podendo dedicar-se completamente à causa do Senhor.
 
4. O Senhor detesta o divórcio; Jesus o autorizou apenas em caso de adultério e o tolerou pela dureza do nosso coração. Quem se separa não pode se casar com outra pessoa, a não ser no caso de adultério ou se o ex-cônjuge já possui outra pessoa.
 
5. A.
 
6. Deus, nosso Criador, é nosso Esposo. Não precisamos sentir-nos sozinhos, pois Ele está sempre ao nosso lado.