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Fotografias por: Chico Camargo/CMC | Legenda Foto: Autor do projeto, Osias Moraes

 
 
 
A Câmara de Curitiba aprovou em primeiro turno, na sessão desta terça-feira (7), projeto de lei que pretende instituir nas escolas municipais a Semana do Empreendedorismo. Autor da proposição, o vereador Osias Moraes (PRB) defendeu que a iniciativa é uma “oportunidade de incentivarmos desde a infância o empreendedorismo”, para que os alunos da rede pública sejam preparados “para a vida profissional e o mercado de trabalho” (005.00290.2017). A matéria recebeu 26 votos favoráveis e 1 contrário, da Professora Josete (PT). 
 
Se aprovada em segundo turno e sancionada, a matéria depende de regulamentação do Poder Executivo. A Semana do Empreendedorismo integraria o calendário escolar anual, e poderia ser aberta aos pais dos estudantes, empresas locais e comunidade. O texto atribui o desenvolvimento das atividades à Secretaria Municipal da Educação (SME). 
 
“O empreendedor é a pessoa que imagina, desenvolve projetos, executa ações inovadoras e empresariais”, defendeu Moraes. Segundo o autor, escolas municipais de Ijuí, no Rio Grande do Sul, desenvolvem um projeto semelhante desde o ano passado. “Os alunos desenvolvem projetos empreendedores e são convidados a apresentá-los em feiras internas de sua instituição, melhorando o desempenho individual e em grupo”, declarou. 
 
Para ele, a rede municipal de educação de Curitiba “precisa preparar” os estudantes, para que os mesmos conquistem “espaço e sucesso”. “E para que isso aconteça, os alunos precisam ter condições mínimas de desenvolvimento empreendedor e atitudes criativas”, continuou. “O empreendedorismo estimula o ser humano em todos os aspectos e dimensões, visando contribuir para a execução de novas ideias, autonomia e responsabilidade.”
 
Thiago Ferro (PSDB) apontou que foi formalizada, em agosto, parceria entre o Sebrae/PR e a Prefeitura de Curitiba, por meio da SME, para levar um programa de jovens empreendedores a dez escolas municipais, uma de cada administração regional. “É de muito cedo mesmo que a gente precisa trabalhar com a criança”, completou Ezequias Barros (PRP). Fabiane Rosa (PSDC) e Noemia Rocha (PMDB) também declararam apoio ao projeto de lei em pauta.
 
Polêmica
 
Professora Josete justificou o voto contrário: “A escola tem que atender de acordo com a faixa etária e a questão cognitiva dos alunos, e quando se fala em técnicas para crianças mais novas é forçar a maturidade. Algumas falas me preocupam, parece que a gente não faz nada na escola. A gente ensina a ser crítico, a pensar, a gente pesquisa com as crianças. A gente já desenvolve uma série de atividades que levam ao empreendedorismo”. 
 
“Eu acredito que criança tem que estudar, a criança não tem que trabalhar. Criança tem que ser criança. Quando se traz para as séries iniciais a lógica do mercado de trabalho, acredito que a gente está antecipando”, acrescentou. “Temos o hábito de apresentar várias semanas para que a escola trabalhe. O que me conforta é que isso não acontece, senão a escola não iria ter tempo para trabalhar os conteúdos básicos. Certamente o vereador apresentou a proposta com boa intenção, mas acho que não cabe nas séries iniciais.”
 
Osias Moraes retornou à tribuna para rebater as críticas. “Sabe o que não cabe na escola? A ideologia de gênero, confundir a criança, querer sexualizar a criança, querer doutrinar as crianças. Eu me admiro que a professora suba aqui, sendo professora”, argumentou. “Não é trabalho. Estamos incentivando a pessoa a pensar, ser crítica, e a ideologia de gênero, que é o que a professora defende, não faz isso.”
 
“Inúmeros bilionários, como Bill Gates, começaram na escola”, falou Bruno Pessuti (PSD). Mas, na avaliação dele, o empreendedorismo vai além “do ponto de vista comercial e financeiro”. O parlamentar citou projetos como a cidade mirim do Colégio Opet. “Isso tudo é empreendedorismo. Precisamos desenvolver atividades de empreendedorismo em todas as escalas que é possível.” Na mesma linha, Cristiano Santos (PV) apoiou projetos desenvolvidos por estudantes: “É importante estimular, explorar”.  
 
“Votei favorável, vereador Osias, acho que a intenção é a melhor. Há a necessidade da gente fomentar cada vez mais a indústria criativa, a criatividade de todos. Compreendo também o contraponto da Professora Josete”, ponderou Goura (PDT), o último a justificar seu posicionamento. “Minha filha está na rede municipal, uma menina de 8 anos de idade. Vejo que tudo que aconteceu este ano está levando a uma forma de desmotivação dos servidores. Também o reajuste 0%. A gente não pode prescindir da motivação e da valorização que os servidores precisam”, complementou. “O tema da educação sexual não pode estar alheio à realidade que a gente vive, principalmente entre adolescentes”, finalizou ele, sobre índices de gravidez entre jovens.