Fotografo: CPB
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Amar a misericórdia

Lição 12
14 a 20 de setembro
 
Sábado à tarde
Ano Bíblico: Dn 7-9
 
VERSO PARA MEMORIZAR: Ao justo “nasce luz nas trevas; ele é piedoso, misericordioso e justo. O homem bom se compadece, e empresta; disporá as suas coisas com juízo” (Sl 112: 4, 5, ACF).
 
LEITURAS DA SEMANA: Mt 6:25-33; Tg 1:5-8; 2:15, 16; Is 52:7; 58:1-10; 1Jo 3:16-18
Como vimos, a Bíblia é repleta de descrições veementes do interesse de Deus pelos pobres e oprimidos, bem como de apelos para que Seu povo trabalhe em favor deles. Apesar da atenção dada a essas questões, essa ordem bíblica tem sido cumprida apenas de maneira esporádica e parcial, e será concluída somente com a vinda de Cristo e com os eventos sobrenaturais que se seguirão.
 
Até então, o mal persistirá em muitas formas, sendo alimentado pelas influências espirituais obscuras do diabo e seus anjos. Muitas vezes, esse mal se torna mais visível na pobreza, violência, opressão, escravidão, exploração, egoísmo e ganância. Neste mundo, nossas comunidades, igrejas e famílias precisam lutar contra esses males, não importa quanto seja difícil fazê-lo. Em resposta ao amor e aos mandamentos de Deus, vivendo à luz do ministério e do sacrifício de Jesus, e sendo capacitados e guiados pela presença do Espírito Santo, devemos ser compassivos, criativos e corajosos ao buscarmos praticar a justiça, amar a misericórdia e andar humildemente com nosso Deus (Mq 6:8).

Domingo, 15 de setembro
Ano Bíblico: Dn 10-12
Prioridades do reino
 
Conforme ficou claro nos ensinamentos de Jesus e dos escritores do Novo Testamento, os que escolhem viver como membros do reino de Deus vivem de acordo com um conjunto diferente de valores e prioridades em comparação com o mundo.
 
1. Leia Mateus 6:25-33. Que certeza recebemos nesses versos, e como essa convicção deve impactar nossas prioridades?
 
Jesus ensinou que “a vida” é “mais do que o alimento, e o corpo, mais do que as vestes” (Mt 6:25). Evidentemente, essas coisas são importantes, mas devemos vê-las à luz do reino de Deus, o que significa que devemos reformular as prioridades da nossa vida de maneiras reais e práticas. Quando reconhecemos o chamado em toda a Bíblia para que elevemos as outras pessoas e cuidemos delas, essa missão também se torna uma de nossas prioridades à medida que buscamos seguir os passos de Jesus. Esse chamado deve nos ajudar a nos concentrarmos menos em nós e mais nos outros.
 
Esse conjunto diferente de prioridades também transforma nosso relacionamento com as autoridades. Embora a Bíblia instrua os cristãos a respeitar e obedecer a seus governantes (veja, por exemplo, Romanos 13:1-7), também chegamos a um ponto em que precisamos ecoar as palavras de Pedro: “Antes, importa obedecer a Deus do que aos homens” (At 5:29). Jesus conciliou esses dois princípios em Sua resposta aos que tentaram trapaceá-Lo nessa questão: “Dai, pois, a César o que é de César e a Deus o que é de Deus” (Mt 22:21).
 
Os que têm poder, seja no governo ou em outra esfera, muitas vezes impõem e mantêm esse poder por meio de ameaças ou força. Como observamos na vida de Jesus, a vida fiel não requer passividade diante do mal em todas as situações. Por exemplo, tratando da escravidão na América, Ellen G. White escreveu: “Quando as leis dos homens se chocam com a Palavra e a lei de Deus, cumpre-nos obedecer a estas, sejam quais forem as consequências. À lei de nossa terra que exige entregarmos um escravo a seu senhor, não devemos obedecer; e cumpre-nos sofrer as consequên­cias de transgredir essa lei. O escravo não é propriedade de homem algum. Deus é seu legítimo senhor, e o homem não tem nenhum direito de tomar a obra de Deus em suas mãos e pretender que seja propriedade sua” (Testemunhos Para a Igreja, v. 1, p. 201, 202).

Segunda-feira, 16 de setembro
Ano Bíblico: Os 1-4
Fadiga da compaixão
 
Resistindo à possibilidade de deixar que as boas intenções sejam esmagadas por “todos os problemas do mundo”, muitos gostariam de contribuir mais para fazer a diferença na vida dos sofredores. Há uma série de atitudes e ações que podem nos levar a responder de maneira positiva ao sofrimento dos necessitados.
 
Compaixão: Como vimos, reconhecer e ter empatia pela dor dos que estão sofrendo são os primeiros passos para a ação. Precisamos manter nossa sensibilidade ao sofrimento e fazer com que ela aumente. Hoje, as pessoas falam em “fadiga da compaixão” – a ideia de que estamos tão expostos à tristeza e à tragédia que ficamos exaustos com as muitas causas que demandam nossa energia emocional e apoio financeiro. Jesus estava bem ciente do mal e da dor ao Seu redor; ainda assim, Ele permaneceu compassivo. Assim também devemos nos manter.
 
Educação: Visto que muitas situações de injustiça e pobreza são complicadas, é importante ouvir e descobrir o que pudermos sobre essas situações. Há muitos exemplos de pessoas bem-intencionadas que causaram danos à vida de outras ao tentarem ajudá-las. Embora isso não seja desculpa para a inatividade, devemos buscar nos envolver de maneira esclarecida e ponderada.
 
Oração: Quando vemos um problema, nosso primeiro pensamento é tomar uma atitude “prática”. Mas a Bíblia nos lembra de que a oração é prática. Podemos fazer a diferença na vida dos pobres e oprimidos ao orarmos por eles e pelos que exercem poder sobre eles (veja 1Tm 2:1, 2), e ao buscarmos a orientação divina sobre como podemos responder melhor e avançar mais no tocante ao oferecimento de ajuda (veja Pv 2:7, 8).
 
Expectativas: Outro elemento importante na obra de aliviar o sofrimento é ter expectativas adequadas, dada a complexidade das circunstâncias sociais, políticas e pessoais. Nossa esperança deve ser oferecer às pessoas escolhas e oportunidades que elas poderiam não ter tido de outra maneira. Às vezes, o que as pessoas fazem com essas oportunidades nos decepciona, mas devemos respeitar essas escolhas. Sempre que tentamos trabalhar em favor dos sofredores, nosso princípio orientador deve ser: “Tudo quanto, pois, quereis que os homens vos façam, assim fazei-o vós também a eles” (Mt 7:12).

Terça-feira, 17 de setembro
Ano Bíblico: Os 5-9
Generosidade
 
“Deus ama a quem dá com alegria” (2Co 9:7), e a doação generosa é um aspecto importante da vida cristã. Embora devamos permitir que a Bíblia desafie nossas prioridades quanto às finanças e doações, a generosidade é mais do que apenas investir dinheiro em uma causa, não importa quanto ela seja digna.
 
Em vez disso, a generosidade é uma das maiores atitudes da vida e uma qualidade essencial daqueles que temem ao Senhor, conforme observado diversas vezes no Salmo 112: “Feliz é o homem que empresta com generosidade e que com honestidade conduz os seus negócios” (Sl 112:5; NVI).
 
2. O que os seguintes textos ensinam sobre generosidade para com os necessitados? Lv 25:35-37; Sl 119:36; 2Co 8:12-15; 1Jo 3:16-18; 1Tm 6:17-19
 
Em suas cartas no Novo Testamento, Paulo citou regularmente a generosidade de Deus, expressa mais plenamente em Jesus, ao dar Sua vida por nós, como a fonte da esperança cristã. Por sua vez, Sua morte por nós é também a motivação para vivermos com generosidade para com os outros: “Oro para que a comunhão que procede da sua fé seja eficaz no pleno conhecimento de todo o bem que temos em Cristo” (Fm 6, NVI).
 
A generosidade é uma atitude abundante, ousada e abrangente em relação à vida. Muitas coisas em nossa vida individual, na sociedade e na cultura nos levam a focalizar a nós mesmos, e a reter o máximo que podemos.
 
Porém, se nossa fé é real, ela nos levará a morrer para nós mesmos e viver mais para os outros. Nossa fé nos faz imaginar o mundo e seu povo como Deus os vê, em seus aspectos bons e ruins, e nos impele a ajudar os necessitados, seja qual for sua condição.
 
Como característica da vida, a generosidade é prontamente apreciada por angariadores de recursos e instituições de caridade. Essa qualidade é mensurável e diretamente prática. Mas grandes doações não indicam necessariamente uma vida generosa (veja Mc 12:41-44). Esta, sim, é maior e mais valiosa do que qualquer doação. Precisamos apreciar e cultivar mais um espírito generoso em tudo o que fazemos. Para a maioria das pessoas, a generosidade não vem naturalmente; é uma graça que precisamos cultivar e expressar em nossa vida de maneira proativa e intencional, independentemente da influência da nossa condição humana pecaminosa e egoísta.

Quarta-feira, 18 de setembro
Ano Bíblico: Os 10-14
Pacificação
 
3. Leia Mateus 5:9. No mundo em que vivemos, como praticar o que Jesus disse nesse texto? (Veja Mc 13:7). Assinale a alternativa correta:
 
A. (  ) Por meio da força e da ameaça.
 
B. (  ) Devemos viver em paz e promover a paz, embora saibamos que guerras e conflitos continuarão ocorrendo até a volta de Cristo.
 
Um conflito causa significativo sofrimento. Incluídos nos custos da guerra estão as vítimas diretas e as vidas destruídas, os recursos dedicados à maquinaria militar e o sofrimento contínuo de sobreviventes e veteranos de guerra, mesmo entre os “vencedores”. Há também conflitos menores que marcam inúmeras vidas em famílias e comunidades. Sendo assim, o desejo por justiça não pode ignorar a ordem de pacificar.
 
No centro do evangelho de Jesus está o gracioso e grandioso ato de pacificação de Deus, reconciliando o ser humano pecador com seu Criador (veja 2Co 5:18-21). E a reconciliação que recebemos se torna o padrão para que sejamos “embaixadores” dessa oferta de restauração de relacionamento para os outros também.
 
4. Isaías 52:7. Como podemos colocar esse texto em prática?
 
O evangelho traz a motivação, o modelo e o recurso para trabalharmos pela paz em nosso mundo violento: “O coração que se encontra em harmonia com Deus compartilha a paz do Céu e difunde ao redor de si sua bendita influência. O espírito de paz repousará como orvalho sobre os corações desgostosos e perturbados pelos conflitos mundanos” (Ellen G. White, O Maior Discurso de Cristo, p. 28).
 
No Sermão da Montanha, Jesus disse: “Bem-aventurados os pacificadores, porque serão chamados filhos de Deus” (Mt 5:9). Aprofundando a questão, Ele não apenas confirmou o mandamento “não matarás”, mas também disse que não devemos ficar irados nem guardar rancor (Mt 5:21-26) e que devemos amar nossos inimigos e orar por aqueles que nos perseguem (Mt 5:43-48), o que significa que devemos tomar medidas ativas para o bem deles. Há muitas histórias inspiradoras de pessoas que dedicaram a vida à pacificação em lugares de conflito, trazendo vislumbres de reconciliação e cura, aliviando parte do sofrimento trazido por esses conflitos.

Quinta-feira, 19 de setembro
Ano Bíblico: Joel
Uma voz para os que não têm voz
 
Salomão escreveu que há “tempo de estar calado e tempo de falar” (Ec 3:7). Ele estava certo. Encontrar o equilíbrio não é simples para ninguém. Mas, quando se trata de defender os oprimidos, de ser uma voz para os que não têm voz e vencer o mal com o bem é possível que tenhamos errado pelo demasiado silêncio quando nossa voz deveria ter sido ouvida.
 
Os cristãos muitas vezes falam sobre ser as mãos e os pés de Jesus, referindo-se ao chamado para o serviço prático em favor dos outros, como Jesus deseja que façamos. Mas na função profética demonstrada na Bíblia, o primeiro chamado de Deus é para que homens e mulheres sejam Sua voz e, ao falarem em Seu nome, que também falem em nome daqueles que Deus deseja defender (veja Sl 146:6-10).
 
5. Leia Isaías 58:1-10. O que essa mensagem, dada em seu tempo, lugar e contexto específicos, diz a nós hoje, em outra época, lugar e contexto? O que mudou desde a época em que Isaías a escreveu?
 
O apelo dos profetas por justiça nunca foi um caminho para a popularidade. Mas motivados pela ordem de Deus, compreendendo Seu desejo de justiça, compadecendo-se da condição dos pobres e oprimidos e buscando o melhor para a sociedade, os profetas ousaram ser a voz dos que não tinham voz, apesar da oposição, incômodo e perigo (1Pe 3:17).
 
Com base em nossa compreensão do evangelho e no chamado para refletir Jesus para o mundo, os adventistas do sétimo dia também têm muitas coisas boas a oferecer em relação ao tratamento do problema do mal no mundo.
 
Veja alguns exemplos: “Os adventistas [...] creem que as ações para reduzir a pobreza e suas resultantes injustiças sejam uma parte importante da responsabilidade social cristã. A Bíblia revela claramente o interesse especial de Deus pelos pobres e Suas expectativas quanto à maneira em que Seus seguidores devem auxiliar os incapazes de cuidar de si mesmos. Todo ser humano carrega a imagem de Deus e é destinatário de Sua bênção (Lc 6:20). Quando trabalhamos com os pobres, seguimos o exemplo e o ensino de Jesus (Mt 25:35, 36). Como comunidade espiritual, os adventistas do sétimo dia defendem a justiça para os pobres e abrem ‘a boca a favor do mudo’ (Pv 31:8) e contra os que privam ‘os pobres de seus direitos’ (Is 10:2; NVI). Agimos de acordo com Deus que mantém ‘o direito do necessitado’” (Sl 140:12; Declaração Oficial da Igreja Adventista do Sétimo Dia Sobre a Pobreza Mundial, 24 de junho de 2010).

Sexta-feira, 20 de setembro
Ano Bíblico: Am 1-4
Estudo adicional
 
Textos de Ellen G. White: A Ciência do Bom Viver, p. 503-516 (“Uma Experiência Mais Alta”); Testemunhos Para a Igreja, v. 3, p. 511-526 (“Dever Para com os Desafortunados”) e (“O Dever do Homem Para com seus Semelhantes”); Testemunhos Para a Igreja, v. 2, p. 24-37 (“Trabalhando por Cristo”).
 
“Examinai o Céu e a Terra, e não existe aí, revelada, uma verdade mais poderosa do que aquela que se manifesta em obras de misericórdia aos que necessitam de nossa compaixão e auxílio. Esta é a verdade como se encontra em Jesus. Quando os que professam o nome de Cristo praticarem os princípios da regra áurea, o evangelho será secundado pelo mesmo poder que o acompanhava na era apostólica” (Ellen G. White, O Maior Discurso de Cristo, p. 137).
 
“Supremo amor por Deus e desinteressado amor mútuo: eis o melhor dom que nosso Pai celestial pode conceder. Esse amor não é um impulso, mas um princípio divino, um poder permanente. O coração não consagrado não o pode criar nem produzir. Ele é achado somente no coração em que Jesus reina. [...] Esse amor, acariciado no coração, ameniza a vida e derrama influência enobrecedora ao redor” (Ellen G. White, Atos dos Apóstolos, p. 551).
 
Perguntas para discussão
 
1. Vimos que o evangelho continua a ser o modelo e a motivação para agir em favor dos outros, como Jesus agiu em nosso favor. Isso expandiu sua compreensão e apreciação das boas-novas do que Deus fez por nós e da maneira como Ele mostra Seu amor por nós?
 
2. Levantar a voz pelos que não têm voz, engajar-nos em atividades de pacificação e outras semelhantes pode nos atrair para esferas públicas e políticas. No entanto, nossa Igreja tem sido defensora da separação entre Igreja e Estado. Qual é a diferença entre o envolvimento político inadequado e a defesa e o trabalho público pela paz?
 
3. Qual ação discutida no estudo desta semana você gostaria de praticar em sua vida e comunidade? Como você pode fazer isso acontecer?
 
4. Contra que tipo de opressão em sua comunidade você decidiu orar?
 
Resumo: Seguir a Jesus muda nossa vida em muitos aspectos e traz o desejo de defendermos interesses dos pobres e oprimidos. Sendo uma tarefa difícil e impopular, ela muda nossas prioridades e nos motiva a aliviar a dor dos que nos rodeiam.
 
Respostas e atividades da semana:
 
1. Comente com a classe.
 
2. Não devemos emprestar com juros, visando ao lucro; devemos repartir o que temos com os necessitados e ser generosos com nosso próximo.
 
3. B.
 
4. Devemos abandonar todo espírito de guerra e disputa pessoal e promover a paz mediante nossas ações e palavras.
 
5. Pouco mudou da época de Isaías até hoje, pois as pessoas continuam oprimindo os pobres e necessitados e, ao mesmo tempo, julgando-­­se dignas diante de Deus.