Fotografo: CPB
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A Lei como professor

Lição 3
10 a 16 de outubro
 
Sábado à tarde
Ano Bíblico: Mt 17-20
 
VERSO PARA MEMORIZAR: “Amarás, pois, o Senhor, teu Deus, de todo o teu coração, de toda a tua alma e de toda a tua força” (Dt 6:5).
 
LEITURAS DA SEMANA: Dt 6:5; Dt 31:9-27; Rm 3:19-23; Ap 12:17; 14:12; Mc 6:25-27; Hb 5:8
 
Ao advertir os gálatas contra o legalismo, Paulo escreveu: “Se fosse promulgada uma lei que pudesse dar vida, a justiça, na verdade, seria
procedente de lei” (Gl 3:21). Evidentemente, se alguma lei pudesse “dar vida”, seria a lei de Deus. Contudo, o argumento de Paulo é que, para nós, pecadores, nem mesmo a lei de Deus pode dar vida. Por quê? “A Escritura encerrou tudo sob o pecado, para que, mediante a fé em Jesus Cristo, fosse a promessa concedida aos que creem” (Gl 3:22).
 
No entanto, se a lei não pode conceder vida aos pecadores, qual é o propósito dela, além de nos mostrar nossa necessidade de graça? Então, a lei teria apenas uma função negativa, existindo somente para nos mostrar nossos pecados?
 
Não! A lei também existe para nos indicar o caminho à vida, que é encontrada somente em Jesus. É disso também que se trata a verdadeira educação, conduzindo-nos a uma vida de graça, de fé e de obediência a Cristo. Por essa razão, estudaremos, nesta semana, a função da lei de Deus em toda a questão da educação cristã. Embora a lei não nos salve, veremos o que ela ainda nos ensina sobre fé, graça e o amor de Deus pela humanidade caída.

Domingo, 11 de outubro
Ano Bíblico: Mt 21-23
Amar e temer a Deus
 
O livro de Deuteronômio contém as últimas palavras de Moisés a uma nova geração em Israel, aquela que finalmente entraria na Terra Prometida. Mas, antes que os israelitas entrassem, Moisés tinha algumas palavras e instruções muito claras a dar.
 
1. Leia Deuteronômio 31:9-13. O que significa temer ao Senhor? Assinale a alternativa correta:
 
A.( ) Simplesmente ter medo de Deus.
 
B.( ) Reverenciá-Lo e respeitá-Lo como Senhor.
 
Deus foi intencional nas maneiras de comunicar Sua lei a Israel. Ele tomou todas as providências para que Suas leis não fossem esquecidas. Assim, Deus é um educador longânimo. Ele ensinou, repetiu, enviou profetas e usou Seus servos para transmitir Sua mensagem. E fez isso repetidas vezes. Muitos dos escritos do Antigo Testamento são essencialmente o esforço de Deus para ensinar Seu povo a seguir o caminho da vida.
 
Observe nesses versos como Moisés enfatizou a importância do ensino da lei às futuras gerações. Moisés o descreveu como um processo de duas etapas. Primeiramente, os filhos ouvem a lei e depois aprendem “a temer o Senhor”, seu “Deus” (Dt 31:13).
 
Aprender a lei pressupõe que o temor não seja um resultado natural de conhecer a lei. O processo de temer a Deus deve ser aprendido. Moisés sugeriu que o conhecimento e o temor são um processo, não uma relação imediata de causa e efeito.
 
Além disso, o que significa “temer a Deus” quando também foi dito ao povo: “Amarás, pois, o Senhor, teu Deus, de todo o teu coração, de toda a tua alma e de toda a tua força” (Dt 6: 5)? Talvez possamos comparar essa situação com a maneira pela qual um filho ama e teme um bom pai, que revela seu amor e cuidado falando a verdade e cumprindo o que diz. Com um pai assim, se cometemos algum erro, de fato sofreremos as consequências da transgressão. Podemos e devemos amar e temer a Deus ao mesmo tempo. Essas não são ideias contraditórias. Quanto mais aprendemos sobre Deus, mais O amamos por Sua bondade; ao mesmo tempo, quanto mais conhecemos a Deus, mais O tememos, pois podemos ver a Sua grande justiça e santidade em contraste com nossa grande injustiça e pecaminosidade, e que somente pela graça, mérito imerecido, não somos destruídos.

Segunda-feira, 12 de outubro
Ano Bíblico: Mt 24-26
Uma testemunha contra ti
 
Quando Moisés ficou sabendo que estava prestes a morrer, ele estava ciente da situação que deixaria para trás. Sabia que, após sua morte, os israelitas entrariam na prometida terra de Canaã e que eles se rebelariam quando alcançassem o destino almejado havia tanto tempo.
 
2. Leia Deuteronômio 31:14-27. Quais preparativos Moisés fez antes de sua morte? Quais eram suas principais preocupações e como ele lidou com elas?
 
O tom de Moisés nesse texto parece o de um professor se preparando para ser substituído. Ele sabia que seus alunos haviam se comportado
mal em sua presença na sala de aula; e não estava iludido a ponto de pensar que eles não se rebelariam na sua ausência. Moisés instruiu os levitas que carregavam a arca da aliança a colocarem o livro da lei ao lado da arca para que fosse uma “testemunha”. Ele não estava simplesmente entregando um plano de aula para seu substituto, mas transmitindo um testemunho. Moisés falou do livro da lei como se fosse um ser vivo com poder para reprovar o coração dos homens.
 
3. Pense na lei como uma “testemunha contra” eles. Como entendemos essa ideia no Novo Testamento? (Veja Rm 3:19-23). Ou seja, como a lei indica nossa necessidade de graça?
 
Em Deuteronômio 31, Deus instruiu Moisés a escrever um cântico que o Senhor lhe havia ensinado. Moisés devia ensinar o cântico aos israelitas para que, conforme declarado no verso 19, “este cântico” fosse “testemunha” para Deus “contra os filhos de Israel”. Novamente, vemos as ordens de Deus personificadas. Um cântico, ao ser entoado, é mais facilmente compartilhado e difundido. E, sendo ele uma testemunha, tem a capacidade de fazer com que as pessoas avaliem a si mesmas e vejam o que ele revela sobre elas.

Terça-feira, 13 de outubro
Ano Bíblico: Mt 27, 28
Para que sejas bem-sucedido
 
Em toda a Bíblia, vemos outros resultados de conhecer e obedecer à lei de Deus.
 
4. Leia Josué 1:7, 8. O que o Senhor disse a Josué? Como os princípios encontrados no texto se aplicam a nós hoje? Assinale a alternativa correta:
 
A.(  ) Que ele devia ser forte e corajoso para obedecer à lei.
B.(  ) Que ele devia adaptar a lei à cultura da terra de Canaã.
 
O Senhor disse a Josué na entrada de Canaã: “Tão somente sê forte e mui corajoso para teres o cuidado de fazer segundo toda a lei que Meu servo Moisés te ordenou; dela não te desvies, nem para a direita nem para a esquerda, para que sejas bem-sucedido por onde quer que andares” (Js 1:7).
 
Essa noção de sucesso derivado da obediência pode parecer contrária à maneira pela qual o sucesso é medido no mundo hoje. Muitos acreditam que as marcas de sucesso sejam inovação, criatividade e autoconfiança. Para ter sucesso em determinado setor, muitas vezes é necessário talento extraordinário e assumir riscos.
 
No entanto, aos olhos de Deus o sucesso requer uma série de recursos diferentes.
 
5. Leia Apocalipse 12:17; 14:12; Romanos 1:5; 16:26; Tiago 2:10-12. O que esses versos nos revelam sobre obediência à lei de Deus? Ou seja, mesmo que não sejamos salvos pela obediência à lei, por que é tão importante que ainda a obedeçamos? Assinale a alternativa correta:
 
A.( ) A lei é uma garantia de que seremos salvos um dia.
B.( ) Somos salvos para a obediência. A lei de Deus ainda é válida hoje.
 
Antigo Testamento, Novo Testamento, Antiga Aliança, Nova Aliança, não importa: como cristãos que creem na Bíblia, somos chamados a obedecer à lei de Deus. A transgressão da lei, também conhecida como pecado, apenas leva à dor, sofrimento e morte eterna. Quem já não experimentou ou viu os resultados do pecado, da transgressão da lei de Deus? Assim como o antigo Israel prosperaria obedecendo à lei de Deus (mesmo que eles também precisassem da graça), nós também prosperamos. Portanto, como parte da educação cristã, precisamos manter a lei de Deus como um componente central do que significa viver pela fé e confiar na graça de Deus.

Quarta-feira, 14 de outubro
Ano Bíblico: Mc 1-3
As lutas e dificuldades dos guardadores da lei
 
Existem grandes benefícios em obedecer à lei, evidenciados na vida das pessoas abençoadas por Deus. Josué obedeceu aos preceitos do Senhor e liderou bem o povo de Israel. Repetidas vezes, o Senhor disse a Israel que, se obedecesse à lei, prosperaria.
 
6. Leia 2 Crônicas 31:20, 21. Quais foram as principais razões para a prosperidade de Ezequias?
 
Seja qual for o espaço de educação em que estejamos, devemos enfatizar a importância da obediência. No entanto, nossos alunos não são tolos. Mais cedo ou mais tarde, eles perceberão o duro fato de que algumas pessoas são fiéis, amorosas e obedientes e que, mesmo assim, o desastre também as atinge. Como explicamos isso?
 
O fato é que não podemos explicar. Vivemos em um mundo de pecado, de maldade, um mundo assolado pelo grande conflito, e nenhum de nós está imune a isso.
 
7. O que os seguintes textos ensinam sobre essa questão difícil? Mc 6:25-27; Jó 1; 2; 2Co 11:23-29
 
Evidentemente, pessoas boas e fiéis, cumpridoras da lei, nem sempre prosperaram, pelo menos no sentido em que o mundo entende a prosperidade. E aqui também pode haver uma resposta parcial a essa questão difícil, que certamente surgirá quando buscarmos ensinar a importância da lei. O que exatamente queremos dizer com “prosperidade”? O que o salmista disse? “Prefiro estar à porta da casa do meu Deus a permanecer nas tendas da perversidade” (Sl 84:10). Não há dúvida de que, pelos padrões do mundo, mesmo os fiéis a Deus e obedientes à Sua lei nem sempre “prosperam”, pelo menos por enquanto. Prestamos um desserviço aos nossos alunos se dissermos o contrário.

Quinta-feira, 15 de outubro
Ano Bíblico: Mc 4-6
Jesus, nosso Exemplo
 
Jesus Cristo, o Filho de Deus, foi o único ser humano a viver em perfeita obediência ao Pai, em perfeita obediência à lei de Deus. Ele fez isso para que pudesse ser não apenas nosso Substituto, o que Ele era, mas também nosso Exemplo.
 
8. Leia as seguintes passagens: Lc 2:51, 52; Fp 2:8; Hb 5:8; Jo 8:28, 29. Como elas nos relembram a obediência de Cristo ao longo de Sua vida?
 
Talvez João tenha explicado da melhor maneira quando escreveu o seguinte: “Aquele que diz que permanece Nele, esse deve também andar assim como Ele andou” (1Jo 2:6). Quando fixamos nossos olhos na vida de Cristo e em Seu ministério na Terra, é fácil vermos como Ele agradou ao Pai por Sua obediência. Cristo de fato cumpriu a profecia e confirmou as leis de Deus durante toda a Sua vida.
 
Assim como Deus mandou Moisés escrever Sua lei para que ela fosse uma testemunha para Israel, Cristo era a personificação do testemunho aos Seus apóstolos, discípulos, a pecadores e santos. Hoje, em vez de apenas termos um conjunto de regras a seguir, temos também o exemplo de Jesus, um ser humano de carne e osso.
 
Como professores, há modelo melhor a apresentar aos alunos do que Jesus e Sua obediência ao Pai?
 
“A suposta fé em Cristo que alega liberar as pessoas da obrigação de obedecer a Deus não é fé, mas presunção. ‘Pela graça sois salvos, mediante a fé’ (Ef 2:8). Entretanto, ‘a fé, se não tiver obras, por si só está morta’ (Tg 2:17). Jesus Cristo disse acerca de Si mesmo, antes de vir à Terra: ‘Agrada-Me fazer a Tua vontade, ó Deus Meu; dentro do Meu coração, está a Tua lei’ (Sl 40:8). E antes de subir ao Céu, Ele declarou: ‘Tenho guardado os mandamentos de Meu Pai e no Seu amor permaneço’ (Jo 15:10). Diz a Escritura: ‘Sabemos que O temos conhecido por isto: se guardamos os Seus mandamentos. [...] Aquele que diz que permanece Nele, esse deve também andar assim como Ele andou’” (1Jo 2:3-6; Ellen G. White, ­Caminho a Cristo, p. 61).

Sexta-feira, 16 de outubro
Ano Bíblico: Mc 7-9
Estudo adicional
 
“O amor, base da criação e redenção, é o fundamento da educação verdadeira. Isso se evidencia na lei que Deus deu como guia da vida. O primeiro e grande mandamento é: ‘Amarás o Senhor, teu Deus, de todo o teu coração, de toda a tua alma, de todas as tuas forças e de todo o teu entendimento’ (Lc 10:27). Amá-Lo – o Ser infinito e onisciente – com toda a força, todo o entendimento e todo o coração implica o mais alto desenvolvimento de todas as potencialidades. Significa que, no ser todo – corpo, mente e alma –, a imagem de Deus deve ser restaurada.
 
“Semelhante ao primeiro é o segundo mandamento: ‘Amarás o teu próximo como a ti mesmo’ (Mt 22:39). A lei do amor pede a consagração do corpo, da mente e da alma ao serviço de Deus e de nossos semelhantes. E esse serviço, ao mesmo tempo em que faz de nós uma bênção aos outros, traz sobre nós mesmos as maiores bênçãos. A abnegação é a base de todo verdadeiro desenvolvimento. Por intermédio do serviço abnegado, cada habilidade adquire o mais elevado desenvolvimento. De maneira cada vez mais plena, nos tornamos participantes da natureza divina. Somos habilitados para o Céu, pois o recebemos em nosso coração” (Ellen G. White, Educação, p. 16).
 
Perguntas para consideração
 
1. Assim como o antigo Israel, devemos ao mesmo tempo amar e temer a Deus (Mt 22:37; Ap 14:7). Como fazer isso? Por que esses dois mandamentos não estão em conflito?
 
2. Qual é a diferença entre estabelecer um padrão e criar uma regra? Em sua experiência, o adventismo está mais preocupado em estabelecer altos padrões dentro da comunidade de cristãos ou em criar regras que unam a comunidade? O que as Escrituras revelam sobre estabelecer padrões elevados para si mesmo, para a família e para a igreja?
 
3. Como alcançar o equilíbrio ao expor a importância da obediência à lei de Deus e, ao mesmo tempo, mostrar por que essa obediência não é a fonte da nossa salvação?
 
4. Leia o Salmo 119 e observe quantas vezes são declaradas noções de obediência, liberdade, leis, regras e mandamentos. O que o autor do Salmo 119 desejava comunicar acerca desses temas?
 
Respostas e atividades da semana: 1. B. 2. Moisés reuniu Josué e escreveu em um livro um cântico e as leis do Senhor. Esses escritos deviam ser lidos ao povo a fim de que não se rebelassem. 3. “Pela lei vem o pleno conhecimento do pecado”. Por causa da lei sabemos o que é desejável aos olhos de Deus e o quanto estamos longe dessa realidade. 4. A. 5. B. 6. Ele obedeceu à lei do Senhor, fazendo o que era bom, reto e verdadeiro. 7. Até os fiéis sofrem dores e perseguições. Isso revela o quanto o pecado é injusto. 8. Jesus foi obediente e submisso desde a Sua infância até a Sua morte na cruz.
 
Resumo da Lição 3
A Lei como professor
 
 
ESBOÇO
 
A lei tem um problema de relações públicas. Isso é lamentável, pois a lei e o Deus que a deu têm muito a nos ensinar. Os cristãos ficam confusos a respeito de como a lei atua na vida por causa da ênfase paulina em não sermos “justificados” pela lei, mas pela fé (Gl 2:16). Mas dispensar a lei apenas porque ela não funciona em um aspecto seria como se livrar da sua torradeira porque ela não aspira bem o chão. Parece que as pessoas se contentaram em simplesmente saber o que a lei não faz em vez de também buscar saber o que ela faz.
 
Mas aqueles que têm um relacionamento com Deus devidamente fundamentado na aliança não têm motivos para sofrer de ansiedade ou aversão à lei. Ser capaz ou não de dizer como Davi, “Quanto amo a Tua lei!” (Sl 119:97), é um bom teste para saber se temos um relacionamento saudável com Deus e a lei. Se a pessoa protestar com “E quanto ao amor, ou à graça, ou a Jesus?”, ela pode se surpreender. A lei mais importante de todas, a elite de todas as leis, é a do amor: “Amarás, pois, o Senhor, teu Deus, de todo o teu coração, de toda a tua alma e de toda a tua força”. Essa é a maior de todas as leis, pelo menos essa era a opinião de Jesus (Dt 6:5; Mt 22:36, 37). Se alguém tem problemas com a lei, também discorda dessa lei do amor? Portanto, é seguro dizer que há suficiente apoio do rei Davi e do rei Jesus para que consideremos a lei um instrutor para a vida e uma revelação do Deus que a deu.
 
COMENTÁRIO
 
Aliança quebrada e renovada
 
Ao planejar uma noite com os amigos, é improvável que alguém sugira: “Vamos nos reunir para que possamos ler e estudar algumas leis”. É compreensível que a maior parte das pessoas tenha aversão ao assunto da lei na Bíblia. Na maior parte das vezes, o que se vê é um ciclo deprimente de: (1) leis dadas ou repetidas; (2) leis transgredidas; e (3) a ira de Deus como resultado da transgressão e as terríveis consequências que se seguem.
 
Esse ciclo acontece repetidamente, a ponto de nós, leitores, nos perguntarmos frustrados: “Qual era o problema de Israel? Era o grupo de pessoas mais teimoso e rebelde da face da Terra!” Ficamos chocados com as falhas de Israel, mas em poucos instantes algo interessante acontece. Lentamente desviamos o olhar da nação de Israel e, contemplando o notório espelho, vemos o reflexo de nossas histórias pessoais. Se formos honestos, vemos algumas semelhanças notáveis entre nós e Israel, e, assim como o rei Davi se condenou sem querer ao ouvir a parábola de Natã, também ouvimos a lei declarar para nós: “Tu és o homem” (2Sm 12:7).
 
O que podemos aprender com esse ciclo fatalista de lei, pecado e condenação, um ciclo que muitos cristãos solucionam simplesmente ignorando o assunto da lei bíblica e saltando prematuramente para os temas do perdão, graça e salvação? A resposta encontra-se na fala de Deus a Moisés e Israel, ao prever sua rebelião: “Este povo se levantará, e se prostituirá, indo após deuses estranhos […] e Me deixará, e anulará a aliança que fiz com ele” (Dt 31:16). Assim, os filhos de Israel aprenderam um cântico de 43 versos (Dt 32), do qual jamais deveriam se esquecer (Dt 31:21), um cântico que detalha em pormenores essa previsão, e isso aconteceu quando estavam prestes a entrar na terra prometida e receber as inúmeras bênçãos decorrentes disso.
 
O que aprendemos aqui é algo fundamental sobre o próprio Deus, um Ser que, voluntariamente, fez aliança com um povo mesmo sabendo de antemão que esse povo Lhe seria infiel. Que tipo de Deus é esse?
 
Muitos dos nossos relacionamentos se baseiam em riscos e probabilidades. Casamo-nos com a expectativa de que nosso cônjuge nos seja fiel até a morte. Se tivéssemos certeza da infidelidade futura, definitivamente não nos comprometeríamos. Amizades se formam com a suposição de que as partes não se atacarão pelas costas. No entanto, o Deus dos hebreus nos abraça, mesmo sabendo que será traído pelo nosso pecado e rebelião contra Ele. Isso é uma graça incrível.
 
Mas essa graça se torna ainda mais notável quando vista por meio desse ciclo “deprimente” do povo da aliança chamado a um relacionamento com Deus, governado por Seus mandamentos e leis, mas que incorreu em desobediência flagrante. Essa perspectiva revela a grandeza do amor e da graça de Deus antes mesmo que as promessas da salvação e do perdão fossem apresentadas. O simples fato de Ele Se relacionar com pessoas como nós é um milagre. Suas promessas posteriores de salvação, perdão e restauração são consequência de um coração divino que calcula o custo de nossa rebelião e pecado e conclui que o saldo é pequeno comparado à oportunidade de estar em nossa companhia por toda a eternidade.
 
Comente com a classe: Aprendemos que esse Legislador não é demasiadamente ambicioso e que simplesmente tenta dominar Sua criação. Ele Se dispôs a fazer aliança com pessoas que quebrariam o acordo. O que isso nos ensina sobre Seu caráter?
 
Escrituras
 
A lição de segunda-feira mostra como, antes de Moisés morrer, Deus lhe deu um cântico para que o povo de Israel o memorizasse (Dt 31:21). Esse cântico tinha uma função interessante: depois que o povo entrasse na terra e estivesse satisfeito com a sua abundância, o Senhor diz que ele se voltaria para outros deuses e quebraria a aliança com Ele. Como esperado, os desastres e as maldições da aliança se seguiriam. Pode-se imaginar a experiência trágica de desfrutar de tamanha prosperidade e na sequência ser dizimado pela fome e pela guerra (Dt 32:23-25). “Por que isso está acontecendo conosco?” – quase se pode ouvi-los chorar em desespero. “Oferecemos nossos sacrifícios aos deuses, que estavam nos abençoando e protegendo” (Dt 32:17; Os 2:5, 8). Nesse momento de desorientação, quando Israel estivesse colhendo toda a ira de Deus por sua desobediência, seria a hora de cantar esse cântico.
 
Tal cântico é de grande intensidade (Dt 32). Conta a história da bondade divina contrastada com a iniquidade de Seu povo. Convida-os a se recordarem do passado: “Lembra-te dos dias da antiguidade” (Dt 32:7), quando Deus supria suas necessidades e cuidava deles, estendendo “as asas e, tomando-os” os levava “sobre elas” (Dt 32:11). Ao final, em meio à superabundância, eles se esqueceriam do Senhor, O abandonariam e sacrificariam a demônios (Dt 32:17). Os versos comoventes falam das consequências desastrosas.
 
No entanto, há indícios de que Deus não abandonaria por completo Seu povo: “Porque o Senhor fará justiça ao Seu povo e Se compadecerá dos seus servos”; “Eu mato e Eu faço viver; Eu firo e Eu saro”; e “fará expiação pela terra do Seu povo” (Dt 32:36, 39, 43).
 
Deus ensinou ao Seu povo um cântico que, embora severamente honesto, responderia a todas as suas perguntas. Contaria sobre suas origens como povo, sobre o Deus que rejeitariam, sobre os deuses impotentes pelos quais O substituiriam, sobre o motivo do caos em que estariam e sobre a esperança para o futuro.
 
O cântico deve ter sido entoado por gerações e servido como um aviso e impedimento contra o afastamento do Deus de seus pais. Mas, no auge da prosperidade e da segurança presunçosa, deve ter soado estranho e irrelevante para os ouvidos, se é que era cantado. No momento em que enfrentassem um caos criado por eles mesmos, o cântico que sairia de sua própria boca serviria como “testemunha” contra eles (Dt 31:19). Deus colocou na mente do povo de Israel qual seria seu destino, a menos que resistissem à idolatria das nações vizinhas.
 
Esse cântico é trágico, mas ao mesmo tempo brilhante para instruir. Indica claramente as consequências de quebrar a aliança. Explica os porquês por trás da terrível situação de ser devastado pela guerra e por outros instrumentos. Põe a culpa nos ombros de Israel e justifica Deus da responsabilidade pela destruição quase completa do Seu povo. Alguém pode pensar em um método melhor para evitar um desastre nacional do que inculcar um cântico profético na tradição oral de um povo, contando o que será de sua terra natal se rejeitarem o Deus que a deu a eles?
 
Comente com a classe: Quem já não desejou poder visualizar o futuro para tomar decisões melhores no presente? Deus atendeu esse desejo em grande medida ao compartilhar conosco as profecias. A ironia é que, mesmo com o cântico profético nos lábios de Israel, o povo ainda caminhava direto para o pior cenário (Dn 9:13-15). O que esse resultado nos ensina sobre os prós e os contras de se conhecer o futuro?
 
Aplicação para a vida
 
O primeiro passo para realmente pôr em prática a lei é ler e refletir sobre ela em espírito de oração. E não estamos falando apenas dos Dez Mandamentos; eles sempre terão um lugar sagrado nos círculos cristão e judaico. A Lei definida como Torá ou os cinco primeiros livros de Moisés é o que os antigos mencionavam ao falarem em lei. Uma vez que percebemos isso, o termo “Lei” assume uma definição que exige ampliação: a história do Jardim do Éden, a vida de Abraão, a abertura do Mar Vermelho e tantas outras histórias fazem parte da Lei. Por esse motivo, a Lei também é traduzida adequadamente como “ensino” ou “instrução”. Esse entendimento torna o título da lição um tanto redundante (embora necessário) – a Lei como professor. Sim, esperamos que a instrução divina possa nos ensinar alguma coisa. É estranho quando pensamos de outra maneira e rejeitamos a Instrução (isto é, a Lei). É lamentavel quando a Lei é o último lugar em que as pessoas (até mesmo os cristãos) buscam orientação. Seria engraçado se não fosse tão trágico. A leitura do contexto das leis bíblicas, com espírito de oração, fazendo uso diligente de referências paralelas do Novo Testamento, manterá o leitor em um caminho equilibrado para aprender, viver e amar a Lei de Deus.