Fotografo: CPB
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A Bíblia e as profecias

Lição 11
06 a 12 de junho
 
 
Sábado à tarde
Ano Bíblico: Jó 15-17
 
VERSO PARA MEMORIZAR: “Ele me disse: Até duas mil e trezentas tardes e manhãs; e o santuário será purificado” (Dn 8:14)
 
LEITURAS DA SEMANA: Dn 2:27-45; Jo 14:29; Nm 14:34; Dn 7:1-25; Dn 8:14; 1Co 10:1-13
 
As profecias bíblicas são essenciais para nossa identidade e missão. Elas apresentam um mecanismo interno e externo para confirmar a exatidão da Palavra de Deus. Jesus disse: “Disse-vos agora, antes que aconteça, para que, quando acontecer, vós creiais” (Jo 14:29; veja também
Jo 13:19). A pergunta crucial é: como podemos interpretar as profecias corretamente a fim de saber quando elas realmente aconteceram?
 
Durante a Reforma, os reformadores adotaram o método historicista. Esse método é o mesmo que Daniel e João usaram como chave para sua própria interpretação. O método historicista considera as profecias um cumprimento progressivo e contínuo da História, começando no passado e terminando com o reino eterno de Deus.
 
Nesta semana estudaremos os pilares da interpretação profética historicista. “Devemos ver na História o cumprimento da profecia, estudar as operações da Providência nos grandes movimentos reformatórios, e entender o progresso dos acontecimentos ao ver as nações ­mobilizando-se para o combate final do grande conflito” (Ellen G. White, Testemunhos Para a Igreja, v. 8, p. 307).

Domingo, 07 de junho
Ano Bíblico: Jó 18, 19
O historicismo e as profecias
 
O método fundamental aplicado pelos Adventistas do Sétimo Dia para estudar as profecias chama-se historicismo. É a ideia de que muitas das principais profecias da Bíblia seguem um fluxo linear ininterrupto da História, do passado ao presente, e ao futuro. Esse método é semelhante à maneira pela qual a História é estudada nas escolas. Adotamos esse método porque a própria Bíblia interpreta as profecias dessa maneira.
 
1. Leia Daniel 2:27-45. Quais aspectos do sonho indicam uma sucessão contínua e ininterrupta de poderes ao longo da História? De que maneira a própria Bíblia nos mostra como interpretar a profecia apocalíptica (relacionada ao tempo do fim)?
 
Observe que o reino de Nabucodonosor é reconhecido como a cabeça de ouro. Portanto, Daniel identificou Babilônia como o primeiro reino (Dn 2:38). Em seguida, ele disse: “Depois de ti, se levantará outro reino, inferior ao teu; e um terceiro reino” (Dn 2:39) e depois um quarto (Dn 2:40). O fato de que esses reinos tinham uma sequência, um após o outro, sem quaisquer lacunas, também está implícito na própria estátua, pois cada reino é representado em partes de um corpo maior, movendo-se da cabeça aos dedos dos pés. Essas partes estavam conectadas, assim como o tempo e a História estão conectados.
 
Em Daniel 7 e 8, em vez de uma estátua, são usados símbolos específicos de animais para ensinar sobre os mesmos acontecimentos. Vemos uma sequência ininterrupta de quatro reinos terrestres (três em Daniel 8). Eles começam na Antiguidade e atravessam a História até o presente e o futuro, quando Cristo retornará, e Deus estabelecerá Seu reino eterno.
 
Portanto, a estátua de Daniel 2 e as sucessivas visões de Daniel 7 e 8 proveram o fundamento para a interpretação historicista protestante das profecias, que os Adventistas do Sétimo Dia ainda defendem.
 
2. Leia João 14:29. Segundo as palavras de Jesus, como as profecias podem funcionar? Assinale a alternativa correta:
 
A.(  ) Como sinais para confirmar nossa fé no Senhor.
B.(  ) Como indicações para calcularmos a data da volta de Cristo.

 

Segunda-feira, 08 de junho
Ano Bíblico: Jó 20, 21
O princípio do dia/ano
 
Uma das chaves interpretativas do historicismo é o princípio do dia/ano. Ao longo dos séculos, muitos estudiosos aplicaram esse princípio às profecias de tempo de Daniel e Apocalipse. Eles o retiraram de vários textos fundamentais e do contexto imediato das próprias profecias.
 
3. Leia Números 14:34 e Ezequiel 4:6, 7. Nesses textos, como Deus explicou o princípio do dia/ano?
 
Nesses textos, vemos muito claramente a ideia do princípio do dia/ano. Mas como justificamos o uso desse princípio com algumas profecias de tempo, como em Daniel 7:25 e 8:14, bem como Apocalipse 11:2, 3;
12:6, 14; e 13:5?
 
Três outros elementos apoiam o princípio do dia/ano nessas profecias de Daniel e Apocalipse: o uso de símbolos, longos períodos de tempo e expressões peculiares.
 
Primeiramente, a natureza simbólica dos animais e chifres representando os reinos sugere que as expressões de tempo também devam ser entendidas simbolicamente. Os animais e chifres não devem ser considerados de maneira literal. Eles simbolizam outra coisa. Portanto, visto que o restante da profecia é simbólico, não literal, por que deveríamos considerar literais as profecias de tempo? Evidentemente, não devemos.
 
Em segundo lugar, muitos acontecimentos e reinos descritos nas profecias abrangem um período de muitos séculos, o que seria impossível se as profecias de tempo que as descrevem fossem tomadas literalmente. Aplicando o princípio do dia/ano, o tempo se ajusta aos eventos de maneira precisa, o que seria impossível se as profecias de tempo fossem consideradas literalmente.
 
Por fim, as expressões peculiares usadas para designar esses períodos de tempo sugerem uma interpretação simbólica. Em outras palavras, não são normais as maneiras pelas quais o tempo é expresso nessas profecias (por exemplo, “2.300 tardes e manhãs”, em Daniel 8:14), mostrando-nos que os períodos de tempo descritos devem ser tomados simbolicamente e não literalmente.

Terça-feira, 09 de junho
Ano Bíblico: Jó 22-24
Identificando o chifre pequeno
 
Durante séculos, os reformadores protestantes identificaram o poder do chifre pequeno em Daniel 7 e 8 como a igreja romana. Por quê?
 
4. Leia Daniel 7:1-25; 8:1-13. Quais são as características comuns do chifre pequeno em ambos os capítulos? Como podemos identificá-lo?
 
Existem sete características comuns entre o chifre pequeno de Daniel 7 e o de Daniel 8: (1) ambos são descritos como um chifre; (2) ambos são poderes perseguidores (Dn 7:21, 25; 8:10, 24); (3) ambos são blasfemos e exaltam a si mesmos (Dn 7:8, 20, 25; 8:10, 11, 25); (4) ambos têm como alvo o povo de Deus (Dn 7:25, 8:24); (5) ambos têm aspectos de sua atividade descritos pelo tempo profético (Dn 7:25; 8:13, 14); (6) ambos se estendem até o fim dos tempos (Dn 7:25, 26; 8:17, 19); e (7) ambos devem ser destruídos de maneira sobrenatural (Dn 7:11, 26; 8:25).
 
A História identifica o primeiro reino como Babilônia (Dn 2:38), o segundo como a Média-Pérsia (Dn 8:20) e o terceiro como a Grécia (Dn 8:21).
A História mostra, de maneira incontestável, que depois desses impérios mundiais vem Roma.
 
Em Daniel 2, o ferro que representa Roma continua nos pés de ferro misturado com barro; isto é, até o fim dos tempos. O chifre pequeno de Daniel 7 surge do quarto animal, mas permanece como parte desse quarto animal.
 
Qual poder surgiu de Roma e exerceu influência político-religiosa por pelo menos 1.260 anos? Apenas um poder se encaixa na História e na profecia: o papado, que chegou ao poder entre as dez tribos bárbaras da Europa e exterminou três delas. Esse poder era “diferente dos primeiros” (Dn 7:24), indicando sua singularidade em comparação com as outras tribos. O papado falava “palavras contra o Altíssimo” (Dn 7:25) e ­“engrandeceu-se até ao príncipe do exército” (Dn 8:11), usurpando a função de Jesus e ­substituindo-a pela figura do papa. Durante a Contrarreforma, o papado cumpriu a profecia de perseguir “os santos do Altíssimo” e lançar por terra “alguns do exército” (Dn 8:10), quando os protestantes foram massacrados. O papado buscou “mudar os tempos e a Lei” ao remover o segundo mandamento e mudar o sábado para o domingo.

Quarta-feira, 10 de junho
Ano Bíblico: Jó 25-28
O juízo investigativo
 
O esboço profético estudado nesta semana tem encontrado apoio majoritário entre historicistas protestantes desde a Reforma. Porém, somente com o movimento milerita, no início dos anos 1800, os 2.300 dias e o juízo investigativo foram reconsiderados. Veja o seguinte gráfico:
 
Daniel 7
 
Daniel 8
 
Babilônia (leão)
 
------
 
Média-Pérsia (urso)
 
Média-Pérsia (carneiro)
 
Grécia (leopardo)
 
Grécia (bode)
 
Roma pagã (quarto animal)
 
Roma pagã (o chifre se move horizontalmente)
 
Roma papal (chifre pequeno)
 
Roma papal (o chifre se move verticalmente)
 
5. Leia Daniel 7:9-14; 8:14, 26. O que estava acontecendo no Céu? Assinale a alternativa correta:
 
A.(  ) Uma cena de juízo.
B.(  ) Uma festa do Cordeiro.
 
Em Daniel 7 e 8, o juízo acontece após o período de perseguição medieval, que terminou em 1798 com a prisão do papa Pio VI pelo general Berthier (Ap 13:3). O juízo ocorre no Céu, onde “assentou-se o tribunal” (Dn 7:10, 13). Essa cena ocorre depois de 1798, antes da segunda vinda de Jesus.
 
O juízo em Daniel 7 está em paralelo com a purificação do santuário (Dn 8:14). Os dois capítulos falam sobre a mesma coisa. O tempo dessa purificação, que é a terminologia do Dia da Expiação, é de 2.300 tardes e manhãs, ou dias. Com o princípio do dia/ano, esses dias representam 2.300 anos.
 
O ponto de partida dos 2.300 anos é a profecia das 70 semanas (490 anos), que é “cortada” (chatak) da visão dos 2.300 dias (Dn 9:24). Muitos estudiosos veem a profecia dos 2.300 dias (anos) e a profecia das 70 semanas (490 anos) de Daniel 9:24-27 como uma mesma profecia, sendo esta última a parte inicial da primeira. O verso seguinte à profecia das 70 semanas, Daniel 9:25, apresenta o início do período de tempo: “desde a saída da ordem para restaurar e para edificar Jerusalém”. Esse evento ocorreu no “sétimo ano do rei Artaxerxes” (Ed 7:7), ou 457 a.C. Se contarmos 2.300 anos a partir dessa data, chegaremos a 1844, que não é muito depois de 1798 e precede a segunda vinda de Jesus. Foi quando Cristo entrou no santíssimo e começou a obra de intercessão e purificação do santuário. Veja o gráfico no estudo de sexta-feira.

Quinta-feira, 11 de junho
Ano Bíblico: Jó 29-31
Tipologia como profecia
 
Os símbolos das profecias apocalípticas, como os encontrados em Daniel e Apocalipse, têm um único cumprimento. Por exemplo, o bode se cumpriu na Grécia, um reino singular (Dn 8:21). Afinal de contas, o texto o nomeou para nós! Isso poderia ser mais claro?
 
Contudo, a tipologia se concentra em pessoas, eventos ou instituições reais do Antigo Testamento, fundamentados em uma realidade histórica, mas que apontam para uma realidade maior no futuro. O uso da tipologia como método de interpretação remonta a Jesus e aos escritores do Novo Testamento e se encontra até mesmo no Antigo Testamento. O único guia para reconhecer um tipo e antítipo é quando um escritor inspirado das Escrituras os identifica.
 
6. Leia 1 Coríntios 10:1-13. A quais eventos na História Paulo se referiu quando admoestou a igreja de Corinto? Como isso se relaciona conosco hoje?
 
Paulo se referiu à realidade histórica do Êxodo e desenvolveu uma tipologia com base na experiência dos antigos hebreus no deserto. Ele mostrou que Deus, que inspirou Moisés a registrar esses eventos, tinha a intenção de que essas coisas fossem “exemplos para nós” (1Co 10:6), exortando, assim, o Israel espiritual a suportar a tentação enquanto vive nos últimos dias.
 
7. Leia as passagens abaixo e anote cada tipo e o seu cumprimento antitípico, conforme descritos por Jesus e pelos escritores do Novo Testamento:
 
Mt 12:40 _______________________________
 
Jo 19:36 ________________________________
 
Jo 3:14, 15 ______________________________
 
Rm 5:14 ________________________________
 
Jo 1:29 ________________________________
 
Em cada um desses casos, Jesus e os escritores do Novo Testamento aplicaram a interpretação de tipo e antítipo que permite que o significado profético se destaque. Dessa maneira, eles apontam para um cumprimento maior da realidade histórica.

Sexta-feira, 12 de junho
Ano Bíblico: Jó 32-34
Estudo adicional
 
Leia, de Clifford Goldstein, 1844: Uma explicação simples das principais profecias de Daniel (Casa Publicadora Brasileira) e encontre mais informações sobre a profecia dos 2.300 dias. Veja também http://1844madesimple.org. Estude o quadro abaixo:
 
Daniel 7
 
Daniel 8
 
Babilônia (leão)
 
------
 
Média-Pérsia (urso)
 
Média-Pérsia (carneiro)
 
Grécia (leopardo)
 
Grécia (bode)
 
Roma pagã (quarto animal)
 
Roma pagã (o chifre se move horizontalmente)
 
Roma papal (chifre pequeno)
 
Roma papal (o chifre se move verticalmente)
 
Juízo no Céu
 
Purificação do santuário celestial
 
É crucial que a cena do juízo (Dn 7), que ocorre após 1.260 anos de perseguição (Dn 7:25), representa o mesmo que a purificação do santuário
(Dn 8:14). E essa cena de juízo no Céu leva, em última análise, ao estabelecimento do reino de Deus. Por isso, temos uma evidência bíblica da importância que a Bíblia dá a Daniel 8:14 e ao evento que esse texto anuncia.
 
Perguntas para consideração
 
1. O método historicista é revelado em Daniel 2: uma sequência ininterrupta de impérios começa na Antiguidade e termina com o reino de Deus. O Senhor nos deu a chave para interpretar as profecias. Poucos usam o método historicista. O que isso mostra sobre a condição do cristianismo? Por que esse fato confirma a relevância da mensagem adventista?
 
2. Você entende as 2.300 tardes e manhãs? Se não, deseja estudá-la para compartilhar? Surpreenda-se com a solidez da nossa interpretação profética.
 
3. Leia Daniel 7:18, 21, 22, 25, 27. O que o poder do chifre pequeno faz com os santos? O que o Senhor faz por eles? Quais são as boas-novas para os santos em relação ao juízo?
 
 
 
Respostas e atividades da semana: 1. A sequência ininterrupta de poderes mundiais após a cabeça de ouro, Babilônia, simbolizada na inteireza do corpo da estátua em que não há intervalos. A interpretação das profecias apocalípticas deve ter uma sequência histórica contínua. 2. A. 3. Cada dia em que os homens haviam espiado a terra seria considerado um ano. 4. Ele representa um poder; blasfema contra o Altíssimo; persegue os santos de Deus; seu poder dura até o tempo do fim; ele é destruído de maneira sobrenatural. Esse poder é Roma papal. 5. A. 6. Ao Êxodo, quando os israelitas estavam no deserto rumo a Canaã. Lições que aprendemos: confiança em Deus, o fato de que não devemos cobiçar as coisas desta Terra, etc. 7. Mateus 12:40: Jonas permaneceu três dias e três noites no grande peixe; Jesus esteve morto por três dias; João 19:36: os ossos de Jesus não seriam quebrados; João 3:14, 15: Jesus seria levantado assim como Moisés havia levantado a serpente no deserto; Romanos 5:14: Adão prefigurava Aquele que havia de vir; João 1:29: João Batista identificou Jesus como o Cordeiro de Deus, que tira o pecado do mundo.