Fotografo: BBC
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Segundo missionário, tremor foi menos intenso mas causou pânico.

O terremoto que ocorreu nesta terça-feira no Nepal - o segundo de grande magnitude em três semanas - trouxe de volta o pânico à população e minou a confiança de que o pior já havia passado, de acordo com o missionário brasileiro Silvio Aparecido da Silva, que vive há 15 anos no país.

Silvio afirmou que o tremor, de magnitude 7,3, foi mais fraco e durou menos tempo que o do mês passado, que matou mais de 8 mil e feriu quase 18 mil pessoas. De acordo com as primeiras informações das autoridades nepalesas, 24 pessoas morreram e 846 ficaram feridas nesta terça-feira.

Mesmo assim, segundo ele, as pessoas ficaram desesperadas e uma vizinha passou mal. "Achei que ela estivesse tendo um ataque cardíaco, mas era pânico". 

O missionário estava em casa no momento do tremor e conta que, desta vez, foi possível correr para a rua sem cair no chão.

"Mas estávamos em casa fazendo uma reunião exatamente sobre os próximos passos, sobre como superar e ir em frente. E agora isso será mais difícil."

Silvio, que trabalha no projeto "Meninas dos Olhos de Deus", que resgata meninas do tráfico humano, disse que o terremoto abalou a confiança das crianças de que o pior havia passado.

"O terremoto foi forte, mas foi mais forte na alma das meninas", afirma.

Barracas

Ele conta que as crianças e funcionários do projeto voltaram a se abrigar em uma quadra esportiva como medida de precaução.

Segundo ele, os moradores de Katmandu também voltaram a armar suas barracas na rua, como haviam feito no primeiro terremoto. Além disso, ele ouviu relatos de que algumas casas, cujas estruturas já haviam sido abaladas com o primeiro tremor, desabaram.

O trauma também ficou evidente em uma réplica do tremor que ocorreu cerca de 40 minutos após o terremoto desta terça-feira.

"A intensidade foi muito menor, eu nem senti, mas as pessoas gritavam desesperadas", conta. 

"Há um pânico instalado. A população estava voltando ao normal, mas agora estão entrando em desespero." 

O projeto liderado por Sílvio é ligado à ONG Missão Cristã Mundial e abriga 150 meninas. Outros 17 brasileiros trabalham como voluntários - alguns, no entanto, voltaram para o Brasil após o terremoto do mês passado.